Um retrato sobre paz e conexão

Estou diante de um lago que se estende a minha frente e se move tranquilamente enquanto o vento o toca, assim como as árvores ao meu redor que dançam e produzem um dos meus sons favoritos. O sol toca a grama de forma leve e embeleza o cenário que já possui uma beleza estonteante. O som das aves, o cheiro de grama, a quietude, o alento, as poucas flores a enfeitar. Um suspiro em meio ao caos.

Eu não costumo gostar de dias ensolarados, mas quando os raios de sol aparecem timidamente em dias frios tocando tudo com delicadeza como agora, me sinto grata por estar viva. Estar integrada a natureza me faz sentir gratidão pela vida que me foi dada, pelo ar que entra em meus pulmões, por cada batida do meu coração, pela pele que recebe o calor do sol e o gélido vento que sopra, pelos olhos que enxergam a beleza de todo esse cenário e que são capazes de enxergar além.

A natureza é capaz de curar um espírito enfermo. Quando a exaustão nos coloca em um lugar perigoso, a Mãe Natureza nos pega em seu colo, nos envolve em amor e nos salva da forma mais bela do que sou capaz de imaginar.

Acredito que minhas singelas palavras jamais traduzirão o sentimento, a visão, a sensação – e tudo mais – que esses momentos na natureza me proporcionam. É a forma mais pura de magia. São nesses momentos que sinto uma verdadeira conexão, algo muito além do que está aqui, algo místico, sagrado. Me sinto parte de algo. Sinto o espírito se elevar, a alma aquietar. Fechar os olhos e sentir, pertencer, estar presente, me tornar testemunha de tantos encantos. Sinto que não me falta nada; aqui eu tenho tudo o que necessito; aqui o meu espirito encontra um refúgio, um lugar para habitar; aqui sou quem sou por inteiro, de corpo, alma e espirito. Cada pequena partícula do meu corpo vibra tão intensamente sintonizando-se a esta que é a raiz da minha existência.

Acredito que qualquer pessoa seja capaz de sentir a dádiva divina exalada pela natureza. Sentir no âmago do ser a energia celestial se acender e incendiar. E, enfim, ver, ouvir, sentir a paz, a pureza, o essencial. Nós e a natureza não somos distintos, somos uma unidade. Somos parte dela e ela de nós. Acredito que, por esse motivo, encontramos nela a conexão também com o nosso interior, com a nossa essência, com o que de mais intimo habita em nossos corações. Ela é uma fonte poderosa de vida, de pureza, encanto e magia; é um templo sagrado, de devoção e respeito e, como tal, tem tanto a nos oferecer! Às vezes penso que não somos merecedores de tudo isso e, mesmo assim, ela sempre estará aqui por nós, basta o cuidado, o respeito, a gratidão e o amor.

Sentada aqui, sinto minha pequena existência fazer sentido, possuir um significado, ter importância. Essas experiências nos transformam pra sempre e, eu espero, de todo o meu coração, que todos os habitantes desse planeta contemple tal beleza e a imensidão.

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Alento

Vim de manhã tocar os pés na grama, sentir o vento que sopra do horizonte tocar suavemente a pele; essa pele que reveste um ser pulsante, uma alma que vibra e que sente o equilíbrio quando está em contato com a natureza. Sinto aqui a minha miudeza. A pequenez de alguém que não cabe em lugar algum. Por isso encontro o refúgio nos braços da Mãe Natureza: tenho espaço de sobra pra libertar a imensidão que aqui dentro vive.

 

Deito o corpo frágil sobre o manto verde e tenho a alma regada pelas gotas que caem timidamente do céu. Sinto-me parte de algo grandioso e belo. Fecho os olhos e sinto as gotas se fundirem com as lágrimas que escapam timidamente dos olhos. E apenas sinto. A chuva que rega o corpo; as lágrimas que limpam a alma. Não há tristeza. Os sentimentos que se misturam aqui dentro são tão belos a ponto de me emocionarem. Há também um sentimento novo dentro do peito. Tão comum aos outros, mas nunca antes em mim. Leve, tranquilo e tão belo, que me arrebatou em um momento sem cores, e coloriu cada detalhe. Sentimento este que me tocou tão profundamente e me transformou da forma mais bonita.

 

Aqui, deitada no alento de todo o verde em volta, quero despir a minha alma e arrancar do peito toda e qualquer dúvida, ou medo, ou qualquer coisa que torne tudo isso um pesadelo. Ser serena, ser calmaria, ser mais e mais grata pela beleza de tudo e viver a paz de um dia bonito e leve. Quero cultivar cada sentimento, semear amor, mas não me demorar onde não for possível florescer.

 

[…]