Visceral

Uma noite dessas, durante um longo tempo, deitei no quintal e olhei as estrelas. Observar o céu é ter a consciência da minha miudeza. Sou um grão de areia derramado sobre o solo de uma grande esfera em meio ao mistério. Tão pequena que a imensidão que vive dentro de mim já ultrapassa os limites do ser. Transbordo.

São belas as coisas que trago no peito, apesar das feridas que ainda estão em um processo lento de cicatrização. Tenho vivido um grande aprendizado.
A gratidão tem sido uma companhia constante.
E o amor também.

Tenho tentado ser uma pessoa melhor. E, quando pareço falhar, a culpa que preenche o peito é dolorosa. Esse pensamento de ser insuficiente está tão enraizado aqui dentro, que cortar essas raízes tem sido uma batalha diária! Às vezes acolhemos certos traumas sem perceber, mas acredito que somos maiores que os nossos próprios demônios. Estou exausta, mas tenho feito o melhor que posso, ainda que pareça tão pouco. Não é, acredite. Ainda sou a pessoa que se esconde atrás de medos que me paralisam.
Medo de me doar,
medo de demonstrar,
medo de sentir demais.
Mas, quero chegar no fim do dia, colocar a cabeça no travesseiro e sentir que doei amor para as pessoas que me cercaram, sem querer algo em troca porque consequentemente serei eu a receber mais. Disso não tenho dúvida.

Não sou uma pessoa especial, inclusive não tenho certeza se mereço todas as coisas e pessoas incríveis que me acontecem. Mas sou grata. Muito grata! E, por isso, essa vontade de retribuir ao mundo tamanha gentileza, ganha tanta força. Todos nós somos especiais. E todos estamos em nossas jornadas. A minha é baseada em ser revestida de todo amor e paz, e transbordar sem medo. Cultivar meu jardim interior, florescer e doar. E baseada também em tantas coisas mais que ainda desconheço, mas que são feitas dos mais belos sentimentos que posso carregar.

Olhar as estrelas me fez perceber o quanto quero me conectar mais às vidas que estão entrelaçadas à minha e viver essa conexão de forma intensa, verdadeira, pulsante. Não ter medo. Principalmente não temer sentimentos bons que possam surgir. Não me privar de sentir. Apenas sentir.
Sorrir,
abraçar,
olhar nos olhos,
demonstrar esse afeto que tanto banalizam, e que não é banal; é uma força poderosíssima!

Não me importa se tudo isso parece tão piegas. Não, isso é tudo o que sou. Cada parte desse corpo frágil, instável e finito vibra intensamente a cada instante, a cada miudeza e simplicidade dessa vida um tanto confusa. Fecho os olhos e penso na grandeza do Universo. Sinto-me preenchida de gratidão pela chance de me encantar com a beleza de tudo o que os meus olhos tocam e meu coração sente. Isso me arde o peito, alenta a alma, traz calma. E, embora ainda seja pequena, insignificante, tenho tido cada vez mais amor dentro de mim. E quero, cada vez mais, me agarrar as estes sentimentos e não ter receio em ser rio que transborda.

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Fotografia e amor próprio

originalmente postado no meu instagram 

Pude aprender que a fotografia pode ser um belo exercício de autoestima. Algumas pessoas a usam para alimentar o ego, mas isso não seria possível para alguém que sempre teve uma certa dificuldade em enxergar em si qualquer beleza física, assim como a senhorita que vos escreve.

A maioria das pessoas que me conhece sabe da minha dificuldade em estar na frente das câmeras, que estou sempre a fugir delas. Nunca me considerei uma pessoa fotogênica. Mas a fotografia tem me ensinado a me olhar de uma forma muito diferente do que eu estava acostumada. Não sei se algum dia vou me acostumar a estar do lado de lá, e deixar de me esconder entre as madeixas ou não mais olhar para minhas fotos e me sentir a pessoa mais esquisita dessa existência.

Ao meu ver, a verdadeira beleza está dentro, em corações bondosos e em almas puras, que acaba transbordando para fora de uma forma tão bela! Eu vejo muito isso nas pessoas e confesso que queria enxergar mais em mim. Não quero ser vista como um rosto bonito, mas como alguém que cultiva um jardim dentro de si e distribui flores a quem me cerca.

Só que olhar no espelho e ver beleza (não apenas física!) nos traz uma sensação boa. E essa sensação faz a gente se aproximar mais de nós, a querer cuidar mais da nossa saúde física e mental. Nos ajuda a desapegar de uma opinião negativa imposta por nós mesmos sobre o nosso corpo, sobre nosso intelecto, sobre sentir insuficiente. Somos corpo, alma e espírito e nos manter saudáveis nesses três aspectos nos conecta com a nossa essência, com a nossa energia vital.

Amor próprio não é um assunto besta, inclusive é muito complexo e envolve muitas coisas, inclusive em como nos relacionamos com o próximo.  E eu estou em constante aprendizado.